Quatro anos de faculdade, mensalidades, estágios, TCC — e no final, um salário que mal ultrapassa dois salários mínimos. Essa é a realidade de milhares de profissionais formados no Brasil.
Um levantamento recente, com base na Pnad Contínua do IBGE e analisado pela FGV, revelou que algumas carreiras que exigem ensino superior estão entre as menos remuneradas do país. Se você está escolhendo uma faculdade ou já está formado e quer entender o que está por trás dessa situação, este artigo traz os dados e os motivos com clareza.
Profissões com diploma obrigatório e os menores salários do mercado
Entre as carreiras menos remuneradas com exigência de diploma, as profissões ligadas à educação aparecem com frequência, o que chama atenção para a realidade do mercado de trabalho. Não se trata de falta de importância social — muito pelo contrário. O problema está em como essas áreas são historicamente tratadas em termos de política salarial e valorização profissional.
Vale lembrar que os salários citados aqui são médias nacionais. Há variações significativas por região, setor público ou privado, e tempo de experiência. Mas os números dão uma ideia clara do piso que muitos encontram ao entrar no mercado.
1. Professores da educação infantil
Professores da educação infantil têm o menor salário médio entre profissionais com ensino superior, com remuneração em torno de R$ 2.285 mensais.
Esses profissionais lidam com crianças nos primeiros anos de vida — uma fase apontada por especialistas em desenvolvimento humano como decisiva para o futuro do indivíduo. Apesar disso, a remuneração é a mais baixa entre todos os diplomados.
2. Profissionais de ensino em geral
O segundo lugar também pertence à educação. Profissionais de ensino em geral registram um salário médio de cerca de R$ 2.554.
Nessa categoria entram professores de diferentes etapas e modalidades que não se enquadram em especializações específicas. A média revela um padrão de baixa remuneração que permeia toda a carreira docente no país.
3. Professores de artes
Os três primeiros lugares do ranking são ocupados por diferentes tipos de professores. Na terceira posição, os professores de artes recebem em média R$ 2.629 por mês.
Esses profissionais costumam atuar tanto em escolas da rede pública quanto em cursos livres e conservatórios. A baixa remuneração média reflete, em parte, a informalidade de muitas dessas contratações.
4. Assistentes sociais
Assistentes sociais recebem, em média, R$ 3.078 mensais.
A profissão exige o curso de Serviço Social e registro no CRESS. O assistente social atua em hospitais, escolas, presídios e organizações sociais — ambientes de alta demanda emocional e, muitas vezes, com infraestrutura precária.
5. Bibliotecários e documentaristas
Bibliotecários e documentaristas apresentam salário médio de cerca de R$ 3.135.
Para exercer a profissão, é necessário diploma em Biblioteconomia e registro no CRB. Apesar da importância da gestão da informação em bibliotecas públicas, universitárias e arquivos, a categoria enfrenta baixa oferta de vagas e remuneração contida.
6. Fonoaudiólogos
Fonoaudiólogos fecham a lista com salário médio de R$ 3.485 mensais.
A fonoaudiologia exige cinco anos de graduação e atuação regulamentada pelo CFFa. O profissional trata distúrbios da fala, linguagem, audição e deglutição. Apesar da crescente demanda por esses serviços, a média salarial ainda se mantém abaixo do esperado para uma área da saúde com formação longa.
Por que profissões com diploma obrigatório pagam tão pouco?
Especialistas apontam alguns fatores que influenciam essa realidade: excesso de profissionais em algumas áreas, baixa valorização histórica, políticas salariais limitadas e desigualdade regional. Além disso, muitos profissionais atuam em condições precárias.
Há ainda outro fator relevante: a concentração dessas carreiras no setor público, em que os salários de entrada são fixados por tabelas e pisos, sem muita margem para negociação individual. Carreiras como o magistério têm piso nacional definido por lei, mas a implementação varia bastante entre estados e municípios.
A diferença em relação a outras profissões
Enquanto essas carreiras apresentam salários entre R$ 2 mil e R$ 3,5 mil, profissões como medicina e engenharia podem ultrapassar facilmente R$ 10 mil mensais. A diferença não é pequena — ela pode representar mais do que o dobro da renda ao longo de uma carreira inteira.
Isso não significa que uma escolha profissional baseada apenas em salário seja mais acertada. Mas é informação que qualquer pessoa merece ter antes de investir anos e dinheiro em uma graduação.
Salário não é tudo, mas precisa ser considerado
Apesar dos números, o salário não deve ser o único critério na escolha de uma profissão. Fatores como vocação, estabilidade e oportunidades também devem ser considerados. O ideal é avaliar o mercado de forma completa antes de decidir.
Quem atua na educação ou no serviço social, por exemplo, muitas vezes aponta a satisfação com o trabalho como fator determinante para permanecer na área, mesmo diante de remunerações baixas. Para quem está escolhendo uma profissão agora, o caminho mais seguro é combinar interesse pessoal com pesquisa séria sobre o mercado, salários e perspectivas de crescimento.
Para conferir mais sobre profissões e carreiras, acesse o Blog Pensar Cursos e também assista ao vídeo abaixo:








