Poucos conseguem — mas quem consegue, inspira. O Inep divulgou as redações nota 1000 do Enem 2025, e os textos mostram que chegar à nota máxima é possível com preparo, leitura de mundo e argumentação consistente.
Na edição de 2025 do Exame Nacional do Ensino Médio, a banca exigiu que os candidatos escrevessem sobre “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”. O tema surpreendeu muitos estudantes, mas também revelou redatores excepcionais — entre eles, alunos e até um professor que transformaram o assunto em textos de alto nível.
Conhecer essas redações vai além da curiosidade: é uma das estratégias mais eficazes para quem se prepara para o próximo Enem.
O que tornou o tema tão exigente?
A banca tornou-se mais rigorosa, especialmente no que diz respeito à argumentação, ao uso produtivo do repertório sociocultural e à coerência global do texto. Quem alcançou a nota 1000 em 2025 não apenas escreveu bem: compreendeu o padrão da banca.
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Conforme dados do IBGE, a população brasileira vem envelhecendo nos últimos anos e, nas próximas décadas, essa parcela pode chegar a representar 30% da população. Diante desse cenário demográfico, a banca esperava que os candidatos demonstrassem posicionamento crítico — e não apenas textos genéricos sobre o tema.
Redações nota 1000 do Enem 2025: confira os destaques
Caio Braga: da cultura indígena ao protagonismo do idoso
Em sua redação, Caio Braga partiu da obra “O Karaíba”, do autor indígena Daniel Munduruku, para mostrar o contraste entre o respeito aos mais velhos nas culturas tradicionais e a forma como a sociedade brasileira enxerga o envelhecimento.
O texto apresentou uma análise histórica sobre a Lei do Sexagenário, mostrando que, no Brasil, envelhecer sempre foi privilégio de poucos. Por outro lado, correntes contemporâneas colocam os idosos em outras posições: do enfrentamento ao etarismo, de atividade física e econômica e de engajamento político e social. Um exemplo citado foi o filme “Vitória” (2025), estrelado por Fernanda Montenegro, em que a figura da idosa assume protagonismo da própria vida.
Segundo o próprio Caio, a estratégia foi articular três elementos diferentes da cultura brasileira de um jeito que dialogassem entre si e apresentassem ideias distintas dentro do tema.
Laryssa Melo: LOA, etarismo e fiscalização
Laryssa Melo iniciou sua redação apontando que a Constituição Federal de 1988 garante a todos os brasileiros o direito ao respeito e à dignidade, incluindo os idosos. Entretanto, as perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira, em sua maioria negativas, podem contrariar o texto constitucional.
A candidata cearense trouxe um repertório incomum: citou a Lei Orçamentária Anual (LOA) para apontar o subfinanciamento da fiscalização dos direitos dos idosos e o preconceito contra as pessoas mais velhas, que acabam tendo dificuldade de acesso a direitos porque a sociedade tem uma visão equivocada sobre elas.
Rodrigo Fortes: mídia, família e exclusão digital
Rodrigo Fortes partiu do filme “O agente secreto”, de Kleber Mendonça Filho, para mostrar o contraste entre a figura idosa valorizada nas telas e o tratamento desrespeitoso que a sociedade brasileira impõe às pessoas mais velhas fora delas.
O texto apontou a mídia como reprodutora de estereótipos negativos e a família como responsável pela exclusão digital dos idosos — um argumento que poucas redações conseguiram desenvolver com tanta consistência.
Wellington Ribeiro: Clarice Lispector e a invisibilidade da velhice
Wellington Ribeiro iniciou seu texto com a obra “Feliz aniversário”, de Clarice Lispector, abordando a realidade de exclusão vivenciada por grande parte dos idosos brasileiros, os quais só são lembrados pelos familiares em datas comemorativas.
Sua proposta de intervenção envolveu a criação do “Projeto Nacional Vida Feliz”, que engajaria debates públicos ministrados por idosos em mais de 5.500 municípios brasileiros, a fim de desmistificar ideias sobre a velhice e protagonizar a atuação de pessoas idosas no combate à marginalização.
Carlos Eduardo: da nota 460 à nota 1000 — e à medicina
A história de Carlos Eduardo é um exemplo de superação: em 2020, na sua primeira tentativa no Enem, obteve apenas 460 pontos na redação. Seis anos depois, conquistou a nota máxima e ingressou no curso de medicina na Universidade Federal do Ceará.
Em sua redação, Carlos recorreu ao conceito de “sociologia das ausências”, do sociólogo Boaventura de Sousa Santos, para apontar a invisibilidade dos idosos na sociedade brasileira, estruturando o texto com base em dois eixos: a negligência do Estado e a omissão midiática.
O que essas redações têm em comum?
Analisar os textos revela padrões que todo candidato pode aprender:
- Repertório sociocultural específico: nenhuma redação usou referências genéricas. Cada autor trouxe obras literárias, filmes, filósofos e dados contextualizados ao tema.
- Proposta de intervenção detalhada: todos os textos apresentaram soluções com agente executor, ação concreta e finalidade clara.
- Conexão entre os parágrafos: a argumentação fluiu de forma lógica, sem saltos ou contradições.
- Recorte temático bem definido: em vez de tentar abordar tudo, cada candidato escolheu um ângulo e desenvolveu bem.
Como usar essas redações nos estudos
Ler redações nota 1000 é produtivo — mas só quando feito de forma ativa. Algumas práticas ajudam:
- Identificar como a introdução apresenta o problema e conduz ao argumento principal
- Analisar de que forma o repertório é conectado à tese, sem parecer forçado
- Observar a construção da proposta de intervenção e o nível de detalhamento
- Reescrever trechos com outras palavras para fixar as estruturas argumentativas
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