O mercado de trabalho brasileiro vive uma situação que parece contraditória: o desemprego caiu, a economia cresceu acima do esperado e, ainda assim, milhares de vagas seguem abertas sem candidatos.
Em alguns setores, empresas relatam dificuldade constante para contratar, enquanto muitas pessoas continuam procurando uma oportunidade.
Confira detalhes sobre o que explica essa contradição no mercado de trabalho.
Um cenário econômico melhor, mas com desafios
Em 2025 a taxa de desemprego recuou, a informalidade perdeu espaço e a ocupação se aproximou de níveis recordes.
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O crescimento do Produto Interno Bruto também superou projeções iniciais, reforçando a ideia de recuperação econômica. Mesmo assim, a percepção de escassez de mão de obra se espalhou entre empresários de diferentes áreas.
A contradição entre vagas abertas e desemprego
Essa contradição foi analisado em estudos ligados ao FGV IBRE (Fundação Getulio Vargas – Instituto Brasileiro de Economia), que buscaram entender por que a situação do mercado não bate diretamente com os dados agregados.
A conclusão central é que o problema não está apenas na quantidade de trabalhadores disponíveis, mas na combinação de fatores estruturais que afetam a dinâmica do emprego no país. Ou seja, não se trata simplesmente de “falta de vontade de trabalhar”, mas de um encaixe cada vez mais difícil entre oferta e demanda.
Setores com dificuldade para contratar
O setor supermercadista, por exemplo, registrou centenas de milhares de vagas abertas que não foram ocupadas ao longo do último ano. Situação semelhante ocorre em áreas como serviços, logística, construção civil e parte da indústria.
Em muitos casos, as empresas mantêm processos seletivos abertos por longos períodos, sem conseguir preencher os postos, mesmo em regiões com grande concentração de trabalhadores.
Três fatores que ajudam a explicar o problema
De acordo com análises conduzidas por pesquisadores como Daniel Duque, o cenário atual é resultado da soma de pelo menos três movimentos importantes.
O primeiro é o avanço demográfico. O envelhecimento da população reduz gradualmente o número de jovens entrando no mercado de trabalho, justamente a faixa etária que costuma ocupar vagas com maior rotatividade.
O segundo fator é a alta rotatividade nos empregos. Muitos trabalhadores mudam de posto com frequência, o que faz com que as vagas reapareçam rapidamente, alimentando a percepção de escassez, mesmo quando há pessoas ocupadas.
O terceiro ponto está ligado à transformação tecnológica. Novas exigências de qualificação, uso de ferramentas digitais e mudanças nos vínculos de trabalho criaram barreiras tanto para trabalhadores quanto para empresas, dificultando o preenchimento de certas funções.
Menos horas trabalhadas e impacto na produtividade
Comparações internacionais indicam que o Brasil enfrenta uma espécie de redução do tempo produtivo. Mesmo com mais pessoas ocupadas, o total de horas trabalhadas não cresce na mesma proporção.
Isso ajuda a explicar por que setores com demanda elevada sentem falta de mão de obra: há gente trabalhando, mas nem sempre com a carga horária ou o perfil necessários para suprir a demanda existente.
O papel das condições oferecidas
Parte dos postos disponíveis oferece salários considerados baixos, jornadas extensas ou pouca flexibilidade. Ao mesmo tempo, muitos trabalhadores buscam ocupações com horários mais acessíveis, possibilidade de trabalho informal ou melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Esse desalinhamento contribui para o cenário atual, em que há pessoas procurando emprego e empresas procurando trabalhadores, sem que os dois lados consigam se encontrar com facilidade.
Um desafio que vai além do crescimento econômico
Especialistas avaliam que esse paradoxo não será resolvido apenas com expansão da economia. A solução passa por investimentos em qualificação profissional, adaptação das empresas às novas expectativas dos trabalhadores e revisão das condições oferecidas em setores com maior dificuldade de contratação.
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