O famoso “só mais cinco minutinhos” faz parte das manhãs de milhões de brasileiros. Aquele toque rápido no botão soneca do celular parece um gesto inofensivo — afinal, são apenas alguns minutos a mais debaixo do edredom. Mas a ciência tem um recado pouco animador para quem repete esse ritual todas as manhãs: esse sono extra não traz benefício algum para o corpo. Pelo contrário.
Segundo pesquisas recentes, quem usa a função soneca gasta, em média, 11 minutos extras após o primeiro alarme, acumulando sono fragmentado que pode equivaler a uma noite inteira perdida por mês. O dado é da pesquisadora Rebecca Robbins, do Hospital Brigham and Women’s, ligado a Harvard. E o alerta vale para qualquer pessoa que depende do snooze para começar o dia.
O que é o botão soneca e por que tanta gente usa
O botão soneca — ou “snooze” — é aquela função presente em celulares e despertadores que silencia o alarme por um curto período, geralmente 9 minutos, antes de tocar novamente. A ideia é oferecer mais alguns momentos de descanso.
Na prática, porém, a maioria das pessoas não aperta a soneca apenas uma vez. Um levantamento publicado pelo Journal of Sleep Research mostrou que quase 70% dos participantes relataram usar a função soneca ou configurar múltiplos alarmes pelo menos algumas vezes por semana, passando em média 22 minutos extras na cama após o primeiro toque.
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Por que é tão difícil resistir?
A resposta está no próprio corpo. Quando o alarme toca pela manhã, o cérebro geralmente está no sono REM ou em fases leves de sono. A sensação de sonolência e confusão ao despertar — chamada de inércia do sono — torna a pessoa temporariamente incapaz de tomar boas decisões. Apertar o botão soneca, nesse estado, é quase um reflexo automático.
Por que o botão soneca não oferece descanso real
É tentador pensar que alguns minutos a mais fazem diferença. Contudo, o sono obtido entre um alarme e outro é de baixa qualidade. O corpo não consegue atingir as fases restauradoras em intervalos tão curtos.
Além disso, a ativação repetida de alarmes provoca respostas de estresse no organismo. A frequência cardíaca e a pressão arterial sobem a cada toque do despertador. Ou seja, ao invés de descansar, o corpo entra em estado de alerta repetidas vezes — e nenhuma dessas interrupções conta como sono efetivo.
O relógio biológico fica confuso
O uso frequente da soneca pode atrapalhar o ritmo circadiano, que é o relógio interno do corpo. Esse sistema regula quando sentir sono e quando despertar. Ao criar um padrão irregular de despertar, o cérebro passa a liberar neurotransmissores que induzem mais sono em vez de promover a vigília. Com o tempo, levantar de manhã fica cada vez mais difícil.

Consequências a longo prazo do uso do botão soneca
O hábito de adiar o alarme diariamente pode ir além do cansaço matinal. Especialistas ouvidos pelo portal TechTudo apontam que o uso constante da soneca, sem moderação, pode contribuir para o acúmulo de 6 a 8 horas de sono perdido por semana. A longo prazo, isso se associa a:
- Pressão alta e problemas cardíacos
- Dificuldade de concentração e falhas de memória
- Irritabilidade e alterações de humor
- Queda no desempenho profissional e acadêmico
- Maior risco de desenvolver insônia crônica
A psicóloga clínica Kathryn Roecklein, da Universidade de Pittsburgh, alerta que a dependência do botão soneca pode mascarar distúrbios como a apneia do sono ou problemas no ritmo circadiano. Se levantar de manhã é uma batalha diária, pode ser hora de investigar as causas com um profissional.
O que a ciência mais recente diz sobre a soneca
Nem tudo é consenso. Um estudo da Universidade de Estocolmo, publicado no Journal of Sleep Research, trouxe dados que contrariam parte da visão negativa. Os pesquisadores descobriram que quem usa a soneca habitualmente perde apenas cerca de seis minutos de sono por noite e não apresenta piora no humor ou no estado de alerta.
O estudo também observou que os “snoozers” tiveram melhor desempenho em testes cognitivos logo após acordar, além de níveis mais altos de cortisol matinal — hormônio associado ao estado de alerta. A hipótese é que a soneca pode facilitar uma transição mais suave entre o sono profundo e a vigília.
Mesmo assim, a maioria dos especialistas concorda: o ideal é dormir de 7 a 9 horas por noite e levantar ao primeiro alarme. Usar a soneca de forma esporádica provavelmente não causa danos, mas transformá-la em rotina diária exige atenção.
Dicas para deixar o botão soneca de lado
Trocar o hábito de adiar o alarme não precisa ser difícil. Pequenas mudanças na rotina já fazem diferença:
- Coloque o celular longe da cama: obriga o corpo a levantar para desligar o alarme
- Mantenha horários fixos: dormir e acordar no mesmo horário todos os dias, inclusive nos fins de semana, regula o relógio biológico
- Use despertadores com luz gradual: simuladores de nascer do sol ajudam a despertar de forma mais natural
- Abra as janelas ao acordar: a luz natural sinaliza ao cérebro que é hora de ficar alerta
- Evite telas antes de dormir: a luz azul inibe a produção de melatonina e prejudica a qualidade do sono
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