Trabalhar menos e ganhar mais pode deixar de ser exceção no Brasil. Propostas em debate preveem aumento real do salário mínimo e redução da jornada semanal, impactando diretamente a renda e a qualidade de vida de milhões de trabalhadores.
Valorização do salário mínimo
Em 2026, o salário mínimo no Brasil foi reajustado para R$ 1.621, um aumento de 6,79% em relação ao ano anterior. Esse aumento combina a inflação e o crescimento econômico, beneficiando cerca de 62 milhões de trabalhadores e estimulando a economia do país.
Possíveis propostas
| Característica | Jornada Atual (44h) | Proposta (40h) | Proposta (36h) |
|---|---|---|---|
| ⏰ Horas Semanais | 44 horas | 40 horas | 36 horas |
| 📅 Modelo de Trabalho | 5 dias (8h48min/dia) ou 5 dias (8h) + Sáb (4h) |
5 dias (8h/dia) | 4 dias (9h/dia) ou 5 dias (7h12min/dia) |
| 🗓️ Horas Mensais (aprox.) | 220 horas | 200 horas | 180 horas |
| ✅ Tempo Livre Adicional | Base de referência | + 4 horas/semana | + 8 horas/semana |
Vale ressaltar que as propostas de jornada de trabalho ainda precisam ser votadas.
Impactos econômicos nas empresas
Estudos apontam que a elevação real do trabalho celetista (CLT), em caso de jornada reduzida, seria, em média, de 7,84% por hora trabalhada. Nos grandes setores geradores de emprego, como a indústria e o comércio, a alta no custo total de operação seria inferior a 1%.
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Esse cenário demonstra capacidade de absorção sem impactos drásticos no desemprego, especialmente quando comparado a reajustes históricos do salário mínimo brasileiro, como os registrados em 2001 (12%), 2012 (7,6%) e 2024 (5,6%).
Setores mais afetados e particularidades da mão de obra
Enquanto grandes empregadores como indústrias alimentícias e comércio atacadista sentiriam impacto marginal (menos de 1%), setores com uso intensivo de mão de obra — especialmente vigilância, limpeza e atividades associativas — podem experimentar variações maiores, chegando a 6,6% do custo operacional em serviços de segurança. Nesses segmentos, adaptações específicas e estudos para possíveis medidas compensatórias poderão ser necessários.
Tamanho das empresas e diferenças entre empregadores
O ajuste é mais sentido em micro e pequenas empresas, que apresentam mais vínculos com jornadas superiores a 40 horas. Essas empresas podem precisar reorganizar escalas ou contratar mais trabalhadores para cumprir as novas regras. Isso evidencia um desafio extra para pequenos negócios, principalmente nos setores de serviços pessoais, educação e lavanderias. A reorganização de escalas e contratações pode ser uma alternativa para cumprir a legislação e manter a eficiência operacional.
Desigualdade, escolaridade e gênero nas relações de trabalho
As pessoas com menos escolaridade geralmente trabalham 44 horas por semana, mas ganham menos por hora do que aqueles que trabalham 40 horas. As mulheres representam somente 41% dos trabalhadores formais e estão mais presentes em empregos com salários baixos e jornadas longas, evidenciando a importância de buscar mais equilíbrio para que elas possam cuidar de suas famílias.
Emprego sustentável: impactos sobre PIB, produtividade e rotatividade
Análises do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) descartam relação obrigatória entre o aumento do custo do trabalho e a queda no Produto Interno Bruto (PIB) ou a elevação do desemprego. O Brasil já absorveu mudanças relevantes sem prejuízo ao emprego formal, inclusive com a valorização do salário mínimo. A redução da jornada pode ainda estimular a busca por produtividade, reorganização dos turnos e geração de postos de trabalho.

Benefícios para colaboradores e empresas com a redução da jornada de trabalho
A adoção de uma jornada reduzida apresenta vantagens para ambos os lados:
Para o Colaborador:
- Melhora significativa do equilíbrio entre vida pessoal e profissional;
- Redução dos níveis de estresse;
- Mais tempo para qualificação, lazer, família e cuidados com a saúde.
Para a Empresa:
- Aumento da produtividade e do foco da equipe durante o horário de trabalho;
- Maior atração e retenção de talentos qualificados;
- Redução do absenteísmo e melhoria do clima organizacional;
- Fortalecimento da imagem da marca como um bom lugar para se trabalhar.
Perguntas frequentes
- O que muda para os trabalhadores caso a jornada seja oficialmente reduzida para 40 horas semanais?
Os vínculos empregatícios ajustariam a carga horária semanal, mantendo o valor nominal dos salários no novo limite. Isso aumenta o valor da hora trabalhada e pode favorecer contratações adicionais para cobrir a carga total de trabalho nas empresas. - Quais setores devem adaptar processos com maior intensidade?
Serviços como vigilância, limpeza e atividades com forte uso de força de trabalho enfrentam maior aumento proporcional no custo operacional. Indústria e comércio, no entanto, tendem a absorver o impacto de forma menos significativa. - A remuneração por hora tende a aumentar com a limitação da carga horária?
Sim. Com a redução das horas trabalhadas sem perda salarial nominal, o valor por hora sobe, principalmente para quem está atualmente na jornada máxima de 44 horas, fechando parte da diferença salarial entre grupos. - A redução de jornada pode aumentar a formalização e diminuir desigualdades?
Há potencial para equilibrar a presença feminina, reduzir a diferença salarial por escolaridade e combater a rotatividade em empregos de menor remuneração, especialmente em setores marcados por jornadas extensão maiores.
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